sexta-feira, 20 de março de 2015

Lucro Vs Caixa: Uma antiga batalha


Ao administrar uma empresa no mundo capitalista, temos como objetivo financeiro básico alcançar o tão esperado lucro, lutando diariamente para conseguir as melhores situações financeiras e com isso, acumular dinheiro para a organização. Entretanto, o conceito de lucro vai muito além de acúmulo de caixa, como muitos empreendedores pensam, sendo considerado como um termo muito mais amplo e complexo na visão da administração financeira e, principalmente, na visão contábil.
Para a contabilidade, o conceito de lucro significa um aumento no patrimônio líquido da empresa, calculado através da apuração da demonstração de resultado, da qual se evidencia todas as receitas, custos, despesas e deduções. Se o saldo for positivo, ou seja, se a receita (vendas, faturamento) cobrir todas as despesas e custos empresariais, a empresa obteve um aumento no ativo em seu balanço patrimonial. Porém, a análise contábil, no geral, acaba por ai, cabendo ao administrador juntamente com a contabilidade gerencial analisar e encontrar onde está esse lucro.

O aumento patrimonial pode muitas vezes não estar localizado na disponibilidade (caixa) da empresa, o que deixa o empreendedor com uma dúvida cruel: A contabilidade me diz que estou tendo lucro, porém, não o vejo em minhas mãos.

Geralmente isso ocorre devido ao "investimento" da empresa em estoques e matérias-primas que às vezes pode ser passado como despercebido pelo administrador e, como sabemos, todo o estoque da empresa é considerado um bem da mesma, logo entrará na apuração do lucro líquido através do custo das mercadorias vendidas (CMV), no caso do comércio, por exemplo. Outro investimento que pode estar atrasando a chegada do lucro ao caixa são os bens no ativo não-circulante, como os imobilizados (compra de máquinas, veículos, equipamentos, etc).
 Além dos investimentos, outro grande problema da corrida do lucro ao caixa são as "contas a receber", ou seja, as vendas a prazo que ainda não entraram em caixa. Mesmo não ter recebido ainda, pelo princípio da competência, essas vendas devem ser contabilizadas dentro do período em que ocorreu, independente do recebimento. Esse valor a receber ficará no ativo circulante da empresa, pois se trata de um "direito" adquirido por ela.
Muitas empresas fazem parcelamentos vantajosos para atrair clientes, tendo ao mesmo tempo fornecedores para pagar a um curto prazo, veja o exemplo:
-Vendas parceladas em quatro vezes, e fornecedores a pagar em duas parcelas. Mesmo a margem de contribuição (lucro) sendo alta, a empresa sofrerá com os termos lucro e caixa, pois ambos darão uma visão para o empreendedor : a contabilidade mostrará a DR com um lucro vantajoso, porém, o caixa da empresa estará baixíssimo, já que a mesma demora 4 meses para receber toda a sua receita, enquanto tem fornecedores a pagar em um prazo de 60 dias. Muito empresários interpretariam errado as demonstrações contábeis, chegando a conclusão errônea de que a empresa está no prejuízo, quando na verdade, a empresa deve apenas melhorar suas formas de fluxo de caixa, nas proporções adequadas, como diminuir as parcelas nas vendas, ou então conseguir prazos melhores para suas compras. Obviamente, nesse caso, se a empresa não agir rapidamente, a falta de caixa e recursos para dar continuidade à operação dela acarretará um prejuízo futuro, podendo causar até mesmo a falência do empreendimento.

Cabe ao administrador, juntamente com seus consultores financeiros e contábeis, analisar sistematicamente cada demonstração contábil, para assim conseguir entender onde estão sendo aplicados os recursos da empresa, para assim conseguir enxergar onde está o lucro ( ou prejuízo) da mesma, tomando medidas e estratégias para fazê-lo entrar em consonância com o caixa empresarial o mais rápido possível para não haver interpretações defasadas sobre esses dois importantes termos do âmbito administrativo e, assim, conseguir levar a organização para o sucesso financeiro de forma clara e objetiva.

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