Aprofundar-se em administração de
empresas vai muito além de assinar papeis atrás de uma mesa e realizar
diversas reuniões semanais com um monte de relatórios. Administrar é
saber lidar com técnicas diferenciadas de áreas de estudos que são
interligadas com um único intuito: auxiliar o gestor a alcançar o
sucesso empresarial. Dentro dessas áreas de estudo, a Contabilidade
destaca-se devido à sua forma estrutural e racional de lidar com números
e resultados de forma intrínseca e uniforme.
O objetivo primordial da Contabilidade,
segundo Franco (1996), é de registrar, classificar, quantificar e
demonstrar todas as variações que ocorrem no patrimônio das empresas,
tendo como objetivo fornecer informações para que sejam feitas as
devidas análises e tomadas de decisões pelos administradores. Assim,
pode-se ter como uma breve conclusão que só existe Contabilidade onde
existe um patrimônio a ser qualificado, quantificado e estudado, ou
seja, tem-se o patrimônio como objeto primordial da Contabilidade.
Sendo assim, dentre todas as técnicas e
ferramentas essenciais para a administração, não se pode deixar de lado a
contabilidade, como instrumento especialmente concebido para adquirir
informações, registrar dados, resumir e interpretar quantitativamente e
qualitativamente todos os fenômenos que pactuam na situação patrimonial
da empresa. Pode-se notar que seus conceitos e funções se encaixam e
auxiliam para uma boa administração, pois a contabilidade auxilia na
organização, no controle, no planejamento e na direção que a empresa
deve tomar mediante as situações expostas pelas demonstrações contábeis.
Para situar melhor ainda a Contabilidade
dentro de uma organização, as empresas passaram a focar numa espécie de
Contabilidade interna, mais flexível e que se adaptava aos moldes e
necessidades específicas de cada organização. Dessa forma, surgiu a
Contabilidade Gerencial.
Conforme Iudícibus (1998), ela pode ser
caracterizada, de um modo geral, como um método formal conferido a
diversas áreas e procedimentos contábeis analisados e tratados na
contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise
financeira, etc., alocados de uma maneira mais detalhada e apresentada
de uma forma diferenciada, baseando-se sempre nos contextos
empresariais, juntamente com os fenômenos administrativos e econômicos
que podem desencadear sérias decisões na organização.
Partindo para um sentindo mais profundo,
a Contabilidade gerencial está voltada exclusivamente para a
administração interna da empresa, tendo como objetivo encontrar
informações que se posicionem de maneira coerente no modelo decisório do
administrador.
Vale lembrar que a contabilidade
gerencial não exclui as normas e conceitos adotados pela contabilidade
geral, pois ela apenas é derivação da contabilidade geral. As partidas
dobradas, lançamentos e escriturações devem ser respeitados para que os
relatórios não distorçam o verdadeiro patamar financeiro em que se
encontra a organização.
Para poder fazer com que a organização
atinja seus objetivos através de suas técnicas e ferramentas com mais
clareza, a Contabilidade Gerencial necessita de outras disciplinas de
conhecimentos não circunscritos à contabilidade. Ela aproveita conceitos
e habilidades trazidas da administração de produção, economia e,
principalmente, administração financeira, campo da qual toda a
contabilidade da empresa se situa.
Assim, pode-se concluir que todos os
procedimentos, conceitos, técnicas, informações ou relatórios contábeis
feitos com o intuito de resolver problemas empresariais, analisar
desempenhos, justificar variáveis financeiras internas e servirem de
base para tomadas de decisões, recairão sobre a contabilidade gerencial.
Um contador gerencial, para Iudícibus
(1998), deve ser um componente com uma visão muito ampla, além dos
conhecimentos e das técnicas que podem ser alcançados com métodos
quantitativos. Deve estar atento aos conceitos e atualidades da
microeconomia e, acima de tudo, deve saber como os administradores veem e
se sentem ao analisar conteúdos dos relatórios contábeis. Apesar de
cada administrador ter suas características próprias, a maioria não
aprecia analisar demonstrativos contábeis, como balancetes com trinta
páginas para tomar decisões, ou então visualizar um demonstrativo de
despesas operacionais na forma débito-crédito, e assim por diante. Se
não puderem ser substituídas adequadamente, deverão pelo menos ser
mostradas de forma simples e clara, para não gerar incoerências no
raciocínio administrativo.
Vale lembrar, que para o responsável
pelos processos gerenciais, o método das partidas dobradas é de suma
importância para que os relatórios tenham uma sincronia e sejam eficazes
em sua amostragem, trazendo confiança e credibilidade para os
demonstrativos gerenciais.
Esse método, para Franco (1996), tem
como princípio o fato de que não existe um devedor sem credor e
vice-versa, ou seja, para cada débito haverá um crédito de igual valor. É
esse princípio que faz com que a equação entre ativo e passivo do
Balanço Patrimonial chegue a uma igualdade no fim de determinada
apuração.
Assim, por exemplo, se uma empresa
adquirir um veículo à vista, tem-se a causa (dinheiro) e o efeito
(veículo que passamos a ter). Não se trata de duas coisas, mas sim de um
fato só, evidenciado em sua dupla forma de observar. Isso gera um
registro onde, no exemplo, a conta de veículos passa a receber um
débito, e a conta caixa passa a receber um crédito, da seguinte forma:
Débito – Veículos – valor X
Crédito – a Caixa – valor X
Assim, tem-se um registro duplo de mesmo valor X, igualando os valores de crédito e debito.
Com o método das partidas dobradas, é possível analisar os relatórios gerenciais de forma mais analítica e uniforme.
Quando se usa o método das partidas
dobradas, a controladoria da empresa consegue gerar, conforme Sá (2008),
balancetes de verificação que possibilitarão ao empresário analisar
corretamente como estão as movimentações de cada conta contábil, seja
ela do ativo, passivo, ou até mesmo contas de Resultado. O balancete de
verificação, originado das partidas dobradas, será o apoio principal
para a realização da apuração de alguns Tributos e, por fim, para a
apuração do lucro ou prejuízo obtido pela empresa no período analisado.
Portanto, pode-se dizer que um dos principais objetivos da Contabilidade
Gerencial, que é apuração das variações do Patrimônio empresarial, é
realizado de forma intrínseca e analítica graças ao método das partidas
dobradas.
Para melhorar o desempenho interno da
contabilidade gerencial, os relatórios contábeis podem sofrer
modificações e serem adaptados conforme o porte e a necessidade dos
administradores da entidade. Dentre essas demonstrações, estão: Balanço
Patrimonial (BP); o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), e o
Demonstrativo de fluxos de Caixa (DFC).
Outro ponto importante a ser levantado
pela Contabilidade Gerencial é o fato de que essas ferramentas
utilizadas por ela podem auxiliar até mesmo no planejamento tributário
de uma organização, reduzindo a carga tributária da empresa e, com isso,
alavancando seus lucros.
Um profissional que entenda das técnicas
contábeis dentro da empresa se tornou imprescindível para a saúde
operacional e financeira da organização. Ele será o responsável por unir
as informações trazidas da Controladoria interna e da Contabilidade
Fiscal e cruzar com as possibilidades de planejamentos tributários que a
empresa tem direito, com o intuito de assim conseguir a melhor forma de
tributação para que a organização pague o menor tributo possível dentro
das legislações vigentes e conseguir, dessa forma, ganhar fôlego para o
mercado competitivo.
Quando se estuda Contabilidade
Gerencial, é difícil não “tropeçar” nos conceitos da Administração
Financeira, já que as duas disciplinas caminham juntos na Controladoria
de uma organização.
Para Braga (1989), as funções financeira
e contábil utilizam a mesma terminologia, causando certa confusão para
alguns gestores e administradores. Porém, é possível distinguir uma de
outra quando colocadas dentro de seus conceitos e métodos, mostrando que
é dever haver uma concordância entre ambas, onde a função financeira se
desenvolverá à margem da Contabilidade Gerencial.
A missão da Contabilidade Gerencial,
conforme Braga (1989) encerra-se com a preparação das demonstrações
gerenciais, que serão divulgadas conforme a necessidade da empresa para a
tomada de decisões operacionais e financeiras. Embora alguns
demonstrativos gerenciais sejam preparados à margem do processo contábil
habitual, seu conteúdo deve ser alinhado com os valores globais
conceituados pela Contabilidade.
A Contabilidade Gerencial preocupa-se
com a informação contábil útil à administração. Os administradores
financeiros, segundo Braga (1989) utilizam-se dos dados gerenciais para
planejamento, avaliação e controle adequado da organização, por meio de
um Sistema de Informação Contábil.
Segundo Braga (1989), a função
financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a
gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa mesma
função é a responsável pela retenção de recursos e pela alocação de uma
estratégia voltada para a otimização do uso desses fundos. A função
financeira tem um papel de suma importância para o desenvolvimento das
atividades operacionais, contribuindo de forma significativa para o
sucesso da organização.
Assim, conforme Braga (1989), o objetivo
primordial de cada empresa é o de maximizar os lucros e a riqueza de
seus proprietários. Essa riqueza é evidenciada através da administração
financeira, onde a mesma utilizará as ferramentas necessárias juntamente
das técnicas contábeis e gerenciais para que se faça com que todo o
lucro obtido pela empresa chegue rapidamente à disponibilidade da
organização.
Conforme Braga (1989), as demonstrações
contábeis gerenciais, tais como Balanço Patrimonial, Demonstrativo de
Resultado e Fluxo de Caixa constituem importante veículo de comunicação
entre a empresa e os donos, gerentes e público em geral. Essas
demonstrações permitem avaliar a posição econômico-financeira da empresa
a partir de comparações entre períodos. Porém, isto dificilmente pode
ser feito quando se vê apenas as demonstrações gerenciais de forma
bruta, ou seja, sem realizar uma leitura direta desses dados através de
instrumentos técnicos de análises que transformam os dados retidos pela
Contabilidade Gerencial em índices e informações adequadas para realizar
o julgamento financeiro para a tomada de decisão pelos proprietários.
Com essa pesquisa, foi possível notar
que a Controladoria interna da organização vai muito além de planilhas,
papeis e análises de fluxo de caixa. É necessário saber exatamente cada
operação da empresa que possa acarretar em vendas, custos, despesas,
aportes, empréstimos, etc., sabendo, além disso, apropriar da maneira
correta esses dados e saber quantificá-los e qualificá-los da forma
certa, a fim de conseguir os valores mais próximos possíveis da
realidade empresarial. Afinal, serão esses dados que farão com que os
analistas da empresa possam chegar a uma conclusão significativa para a
organização.
Com as normas e procedimentos atuantes, o
setor da controladoria consegue manter o objetivo de controles
padronizados para que as movimentações financeiras sejam formalizadas.
Por meio das Demonstrações Gerenciais, que serão realizadas conforme for
necessário, é possível verificar de forma nítida as inconsistências,
gargalos, pontos fortes e, principalmente, o andamento do Patrimônio
Líquido. A inter-relação e o cruzamento das demonstrações, como a
Demonstração de Resultado e o Balanço Patrimonial, mostrarão fortes
evidências do que realmente está acontecendo na organização e como isso
está refletindo no fluxo de caixa.
Conclui-se, assim, que a Contabilidade
Gerencial é uma ferramenta de apoio de suma importância para qualquer
administrador, sendo necessária a sua aplicação dentro de qualquer
organização. A empresa que adotar suas características como base para as
suas situações de controladoria interna, como assuntos contábeis,
financeiros e tributários, obterá uma grande quantidade de informações
úteis voltadas exclusivamente ao apoio no processo de tomada de
decisão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAGA, H.R. Fundamentos e técnicas de Administração Financeira.1.ed. São Paulo: Atlas, 1989. 416p.
FRANCO, H. Contabilidade Geral. 23.ed. São Paulo: Atlas, 1996.407p.
IUDÍCIBUS,S. Contabilidade Gerencial. 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998.334p.
SÁ, A.L. Fundamentos da Contabilidade Geral.3.ed. Curitiba: Juruá, 2008.316p.

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